Sábado dia 27 de novembro de 2010 - A programação do Festival de Cultura 5 anos – Unidade em Movimento, além de apresentações de shows musicais no palco, oficinas e pontos de encontro nas tendas bioconstruídas, abriga também a mostra de cinema e vídeo Relações de Fronteira por uma Cultura de Paz. A mostra pretende ser um espaço-outro de discussão acerca das forças afetivas, estéticas e políticas que nos movem em direção à América Latina, suas fronteiras, territórios ocupados e povos originários.
O cinema e o vídeo são aqui plataformas de embarque para esta viagem. As relações de fronteira que debateremos em nossas rodas de conversa não são somente históricas, étnicas ou territoriais, mas, sobretudo, estéticas, tecnológicas e políticas, num tempo em que a indefinição ou a misturas dos gêneros, linguagens, técnicas e tecnologias nos colocam cotidianamente numa zona mítica de fronteira, numa “cultura das bordas”. Oxalá, nosotros todos atravessemos las fronteras.
A mostra terá início às 14h com a exibição do vídeo-documentário Teatro Político – Uma História de Utopia, dirigido por Tulio Viaro, com pesquisa e roteiro de Ana Caldas. Por meio da integração de diversas linguagens de teatro, atualizando o passado no presente da reencenação, o documentário narra a história de jovens estudantes, artistas, intelectuais e jornalistas que na Curitiba dos anos 60 acreditavam no teatro como instrumento revolucionário.
Em seguida, artistas e educadores ambientais integrantes do Instituto Ambiente em Movimento apresentam suas experiências de arte-educação e intervenção socioambiental, mediados pelo vídeo.
Abrindo as rodas de conversa sobre a questão indígena e apropriação tecnológica como instrumento de afirmação da identidade e resistência política, exibiremos um vídeo produzido pela Unidade de Projetos Especiais e Vídeo do Setor de Ciências Biológicas da UFPR, no contexto da experiência de compartilhamento de tecnologias de comunicação com a Aldeia Mbyá-Guarani Tekoha Araçaí, residentes dentro da Serra do Mar, em Piraqurara, região metropolitana de Curitiba.
Francele Cocco, em parceria com o Instituto Kaigang e TV Ovo, nos apresenta Kré, vídeo-documentário em que Dona Natália, índia kaigang, explica a confecção de cestos e balaios, desde a extração da matéria-prima até a comercialização em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Já Indígenas Digitais é o documentário dirigido por Sebastián Gerlic, militante argentino da ONG Thydêwá, uma das principais promotoras da rede Indios On-Line que integra um espaço de diálogo inter-cultural de diversos povos e comunidades indígenas do Brasil. O documentário realiza um breve retrato dos efeitos políticos da apropriação tecnológica como câmeras de vídeos e celulares para a afirmação identitária e luta pela permanência nos territórios das comunidades Pankararu (PE), Pataxó Hãhãhãe e Tupinambá (BA) e Pontão Esperança da Terra (BA).
Às 16hs, a tenda Geodésica abriga a roda de conversa – Unidade em Movimento: Cultura, Comunicação e Ambiente de Ações Integradas.
Neste espaço, a Comissão Organizadora do Festival de Cultura (integrantes do Coletivo Soylocoporti e outros parceiros como o Coletivo Fora da Casinha e integrantes do Ciclo de Eco Festivais) se encontram para um bate-papo sobre ações colaborativas, histórico do Festival de Cultura, juventude em movimento e novos rumos na perspectiva do eco-desenvolvimento em plataformas políticas de economia solidária com o viés da integração latino-americana.
Por uma Cultura de Paz.
No seguimento deste roda de prosa, estaremos em conexão com o Festival Macondo Circus, do Circuto Fora do Eixo. Atílio Alencar, nos conecta via streaming com toda a energia colaborativa do último dia do Festival Macondo Circus, desde Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Se não nos bastasse a ousadia da única alegria possível – criar, como diz Gilles Deleuze, teremos outra conexão via streaming com a Rádio Colectivo Tribu de Buenos Aires, composta de integrantes da Residência Artística Lavincidá. Ocupando uma casa em Buenos Aires, jovens argentinos, brasileiros e colombianos vivenciam trocas afetivas e estéticas mediados pela alta e pela baixa tecnologia, reinventando o cotidiano numa perspectiva poética-política-ambiental. Comemorando três anos de fundação de Lavincidá, também se integram conosco via streaming: conexão web com transmissão ao vivo.
Três festivais integrados ao vivo – é a 28° conexão com festivais do Circuito Fora do Eixo, como a completar um ciclo lunar pela reinvenção de um outro espaço-tempo. Vivemos sob a neblina dos altiplanos de Pachamama.
No palco, João Eduardo e amigos, realizam a performance musical Quando Triska Sai Faíska. Triska vêm com uma proposta musical de temática latino-americana, utilizando a viola e outros instrumentos que acompanham canções cantadas em português, castelhano, mapuche e tehuelche. Segue o cortejo na mesma sintonia de integração latino-americana, com o grupo La Máquina Del Sabor.
Na sequência dos acontecimentos do palco e da transmissão web ao vivo, Cláudia Washigton e Lúcio Araújo nos apresentam, na roda de prosa e poesia, a experiência de deriva artística Trânsitos à Margem do Lago. A interação estética desenvolvida pelos artistas e educadores, durante cerca de 30 dias em torno do Lago Artificial de Itaipu é uma iniciativa que integra o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura concedido pela FUNARTE e que teve uma parceria com o Pontão de Cultura Kuai Tema através do Caderno de Viagem publicado no portal Nós-da-Rede. O encontro será a ocasião para o lançamento do Caderno de Viagem em sua versão impressa em três línguas (português, castelhano e guarani). O livro, ricamente ilustrado com fotografias e desenhos em preto-e-branco de outros artistas colaboradores, trata de questões como fronteira, terra, água, energia, arte e colaborativismo.
A nossa sessão de cinema e vídeo traz ainda uma exibição especial de dois filmes do cineasta Eryk Rocha:
Rocha que Voa. Realizado em 2002, o filme documentário tem com tema principal as passagens de Glauber Rocha em Cuba durante o exílio, entre os anos de 1971 e 1972. Criado a partir de registros sonoros da voz do polêmico diretor de cinema brasileiro e fazendo um uso muito inventivo de imagens de arquivo e entrevistas, o documentário trabalha uma memória residual do cinema e das utopias políticas revolucionárias latino-americanas. Não é um filme sobre Glauber Rocha mas, através de Glauber Rocha. Glauber, com sua fala barroca e poética, propõe o cinema como o principal instrumento cultural e político para a promoção da unidade latino-americana. Sua fala reverbera sobre a memória de alguns dos principais representantes do cinema político latino-americano e sobre o povo cubano pós-revolução.
Pachamama. Realizado em 2008, este filme registra a viagem do diretor pela floresta amazônica em direção às fronteiras do Brasil com o Peru e a Bolívia. Da Selva à Cordilheira. Construído sob uma narrativa em primeira pessoa, a bordo de um olhar subjetivo e sensorial, o jovem cineasta nos revela a matéria sensível do coração mítico da América Latina. http://www.pachamamaofilme.com.br/
Programação:
Sábado, 27
14h – Teatro Político – História de Uma Utopia e Ambiente em Movimento. (2010) 60?
15h – Povos Originários e Comunicação Compartilhada:
Ñhande Reko Guarani – Tekoha Araxáí – Nosso Modo de Viver Guarani – (2007) 15?
Kré – Artesania Kaigang – (2009) 8?
Índios Digitais – (2010) 26?
19hs – Trânsitos a margem do lago – Relatos de uma deriva artística.
Exibição de trechos do documentário Ava Marandu – Os guarani convidam – Cultura e Direitos Humanos dos Povos Guarani.
20h – Rocha que voa - Documentário de Eryk Rocha (2007).
21h – Pachamama – A terra fertilizando a política na América Latina – Documentário de Eryk Rocha (2008).